Ushuaia

22º Dia-540 km-Perito Moreno -> Esquel



Ontem, no restaurante do hotel, conhecemos um casal que está fazendo o mesmo percurso que agente, eles viajam em uma caminhonete. Como o caminho deles é contrário ao nosso, enquanto subimos, eles estão descendo, perguntamos como está a estrada até Esquel. Para nossa surpresa, soubemos que um trecho de 14 km da Ruta 40, próximo a Gobernador Costa, está sendo recapeado, com isso, teríamos que pegar uma estrada de rípio, que segue paralela a estrada principal. Quando perguntamos as condições deste trecho, mesmo sem saber que estamos de moto, ela disse: Este pedaço está péssimo, não é estrada de terra, são pedras soltas, o carro fica escorregando. Disseram ter encontrado neste trecho, quatro motociclistas do Brasil, dois caíram, e um quebrou o ombro, as motos ficaram sem condições de andar. Pronto! mais uma vez uma notícia animadora! Os brindes de comemoração pelo dia de hoje, se transformaram em preocupação com o dia de amanhã, novamente teríamos que andar na quela "m%r&a" de rípio. Estamos acostumados com estradas de terra, na verdade, ficamos durante anos percorrendo todos os tipos de terrenos pelo Brasil, afinal moramos em um país, onde somente 17% das estradas são asfaltadas, mas o rípio, é completamente diferente de tudo que já vimos. A conclusão que chegamos, é que não faz sentido o governo argentino espalhar pedras redondas por toda estrada, e liberar para motos ficarem caindo. Deixamos a cidade de Perito Moreno e assim que entramos na estrada, subimos uma serra com visual incrível. Depois foi só reta, e mais reta, até nossa primeira parada em Río Mayo. Lá conhecemos um inglês que viaja em uma BMW 1994, ele despachou a moto, que de navio, saiu da Inglaterra para Buenos Aires, foi até o Ushuaia, e agora segue rumo ao Alaska. Voltamos para estrada e as retas seriam o título de hoje, nada além de retas, a única distração, foi procurar guanacos na beira da pista. Como já esperávamos, não demorou muito para chegar na placa de desvio. Logo ao entrar no rípio, deu para sentir que não seria fácil. As pedras daqui, diferente das de ontem, são maiores e em maior quantidade. Paramos as motos para recalibrar os pneus e ao olhar para pista principal, vimos que o asfalto estava novo. Sem pensar muito, nesta hora o instinto de preservação falou mais alto, subimos nas motos, atravessamos um monte de pedras que separa as pistas, e entramos no asfalto, como o que estávamos fazendo é proibido, seguimos apreensivos e bem devagar. Um quilômetro depois, o caminhão da policia gendarmeria que ultrapassamos antes do desvio, nos alcançou. O policial, que seguia pela estrada de rípio, passou em alta velocidade por nós, sinalizando que não podíamos andar ali. Imediatamente paramos, esperamos ele sumir no horizonte e começamos a procurar um lugar para sair do asfalto e voltar para o rípio. Não encontramos, então decidimos seguir. Mais a frente vimos um grupo de motociclistas parados, tínhamos uma visão privilégiada, pois a pista de asfalto era mais alta que a de rípio, quando nos aproximamos, uma moto estava no chão, com a frente todo destruída, mais uma vítima do famigerado rípio. O asfalto acabou, encontramos uma lugar para voltar para o rípio, recalibramos os pneus e seguimos pulando em cima de pedras até terminar o desvio. No final, dos 14 km de desvio, 10 km percorremos pelo asfalto, restando somente os últimos 4 km de estrada de rípio. Seguindo em linha reta, chegamos em Gobernador Costa, abastecemos, comemos empanadas e quando estávamos saindo, chegou o inglês todo empoeirado, com cara de assustado. Percebi, que ele não gostou muito de andar pelo desvio. Aos poucos as curvas foram aparecendo e a mudança do relevo e vegetação, também. Depois de dias onde a cor predominante foi o marrom, olhar aquela floresta verde, fez sentir que Patagônia ficou pra trás, que daqui pra frente, os ventos não serão os mesmos, a temperatura vai subir, o trânsito vai aumentar, e os guanacos, eta guanacos, já começa a dar saudades. Chegamos em Esquel ainda com céu claro, deu tempo até de ir ao supermercado. Terminamos o dia, comemorando definitivamente a despedida do rípio. Bom, assim achamos; será? Hum!




















































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